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Quem é Paulo Freire? - Patrono da educação brasileira | Educação & Diverso | Bloggando


Paulo Freire (Capa)
Capa

Certamente, uma dos autores  mais lembradas quando o assunto é educação. Paulo Freire é hoje, desde o ano de 2012, o patrono da educação em nosso país, lembrado principalmente por suas obras e celebres frases. Neste artigo, falo um pouco desse célebre senhor, sua vida e principais obras.

Sua biografia resumida

Paulo Reglus Neves Freire nasceu em 19 de setembro de 1921, em Recife, capital de Pernambuco. Teve infância pobre, junto com dois irmãos e uma irmã; perdeu o pai aos treze anos. Estudou por meio de bolsa no Colégio Oswaldo Cruz, onde lecionou Língua Portuguesa.

Paulo Freire criança

Em 1943, ingressou no curso de Direito da Universidade de Recife. Em 1944, casou-se com sua primeira esposa, a professora Elza Maia Costa de Oliveira, casamento que durou até o falecimento de Elza, em 1986.

Em 1947, Freire foi nomeado diretor do Departamento de Educação e Cultura, do Serviço Social da Indústria (SESI), iniciando um trabalho com a alfabetização de jovens e adultos carentes e de trabalhadores da indústria.

Em 1961, tornou-se diretor do Departamento de Extensões Culturais, da Universidade de Recife, o que lhe possibilitou realizar as primeiras experiências mais amplas com alfabetização de adultos, que culminaram na experiência de Angicos, com a qual realizou a alfabetização de jovens e adultos em cerca de 40 horas e com baixos custos. O método desenvolvido por Paulo Freire inspirou o Plano Nacional de Alfabetização, que começou a ser encabeçado pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) ainda no governo de João Goulart.

Paulo Freires (ao fundo, de óculos) em 1963, com alfabetizandos em Brasília / Foto: Divulgação

Com o golpe militar (1964) Paulo Freire passou 70 dias preso e foi exilado por ser acusado de comunista. Durante seu exílio, no Chile, nos Estados Unidos, na Suíça, Freire coordenou projetos de alfabetização de adultos, lecionou em universidades, prestou consultorias a mais de 30 países pelo Conselho Mundial de Igrejas (CMI), implementou projetos educativos em vários países da África.

Retornou ao Brasil em 1980 após dois anos da Anistia. Trabalhou na Unicamp, na PUCSP. Em 1988 casou-se com sua segunda esposa, Ana Maria Araújo.

Paulo Freire e Ana Maria Araújo Freire

No dia 2 de maio de 1997, Paulo Freire morreu, aos 76 anos. Em vida e postumamente, o professor Paulo Freire foi condecorado com 48 títulos honoríficos. É o Patrono da Educação Brasileira por meio da Lei 12.612/12, pela então presidente Dilma Rousseff.

A educação libertadora de Paulo Freire

A educação de paulo freire está hoje contida na Educação Libertadora, conhecido principalmente quando conhecemos e estudamos as tendências pedagógicas em nossa educação brasileira. A ideia de sua educação é formar indivíduos críticos em relação a sua própria condição social, capazes de buscar por mudanças.

A premissa da educação libertadora é centrar-se no processo de participação ativa em discussões e ações práticas sobre questões da realidade do alunado, deixando de lado um não assentamento em conteúdos já sistematizados. Segundo Libanêo (2013) "A ideia é que o professor seja  um coordenador ou animador das atividades que organizam sempre pela ação conjunto dele e dos alunos".

O método Paulo Freire

Em meados da década de 1960, uma experiência inédita chamou a atenção do mundo para o interior do Rio Grande do Norte. Repórteres dos principais jornais norte-americanos e britânicos, além da imprensa brasileira, foram até o município de Angicos para apurar e contar ao mundo como cerca de 300 pessoas foram alfabetizadas em 40 horas. A experiência, considerada ousada, foi dirigida pelo então desconhecido Paulo Freire, que a partir dali tornou-se o mais célebre educador brasileiro. A metodologia, resultado de muitos anos de trabalho e reflexões do educador, acabou batizada com seu nome. (Fonte: MEC)

Para entender esse método, assista o vídeo abaixo:

Plano nacional de alfabetização (PNA)

Programa criado através do Decreto nº 53.465, de 21 de janeiro de 1964. Sua instituição foi uma tentativa do Ministério da Educação e Cultura de coordenar os movimentos de educação de base e/ou alfabetização de adultos e adolescentes que vinham-se multiplicando em todo o país a partir de 1961. O governo militar, no entanto, viu nela um perigo iminente de revolta dos “menos favorecidos”. Isso porque Freire acreditava na educação como ferramenta de transformação social, como forma de reconhecer e reivindicar direitos. (Fonte: FGV/ Guia do estudante)

Mestre Paulo Freire concede entrevista ao chegar ao Brasil, após promulgação da lei da anistia, em 1979/ Agência O Globo

O PNA foi extinto, a 14 de abril de 1964, ano em que foi instaurado a ditadura militar em nosso país. 

Algumas de suas obras

  • Pedagogia da Autonomia (1996)

Escrito no ano de 1996, é uma de suas principais obras e uma das mais famosas, também a sua última obras, pois um ano depois ele faleceu. O seu livro é dividido em três capítulos:
  1. Não há docência sem discência 
  2. Ensinar não é transferir conhecimento
  3. Ensinar é uma especificidade humana
O livro aborda a atenção para a necessidade do educando, o aluno, ter papel protagonista em seu aprendizado. Ele chama para uma reflexão sobre a importância de dar criticidade e autonomia para o aluno desenvolver seu aprendizado.

Saber que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção. Quando entro em uma sala de aula devo estar sendo um ser aberto a indagações, à curiosidade, às perguntas dos alunos, a suas inibições, um ser crítico e inquiridor, inquieto em face da tarefa que tenho - a ele ensinar e não a de transferir conhecimento.

- Paulo Freire (Pedagogia da autonomia)
Livro:  Pedagogia_da_autonomia_PDF

  • Pedagogia do Oprimido (1968)

Livro escrito no ano de 1968, propõe uma pedagogia com uma nova forma de relacionamento entre professor, estudante, e sociedade. Ancorado em situações concretas, este livro desvela as relações que sustentam uma ordem injusta, responsável pela violência dos opressores e pelo medo da liberdade que os oprimidos sentem. É um livro radical, sobre o conhecer solidário, a vocação ontológica, o amor, o diálogo, a esperança e a humildade. Aborda a luta pela desalienação, pelo trabalho livre, pela afirmação dos seres humanos como pessoas, e não coisas. 

Neste livro temos o conhecimento de um de seus mais famosos termos: educação bancária. O termo se refere a uma prática de ensino que reproduz a sociedade opressora, em que o educador se coloca em posição superior, de dono do saber, transmitindo o conhecimento ao alunado, cabendo ao mesmo, memorizar e reproduzir esse conhecimento, não havendo uma criticidade nessa relação.

Paulo Freire hoje



Hoje, Paulo Freire é lembrado como o brasileiro que mais recebeu títulos honoris causa pelo mundo, contemplado em diferentes listas dos pesquisadores mais citados. Em vista disso e sobre as suas obras, pode-se perceber o do porque hoje ele ser declarado como patrono da educação.

Suas obras e sua contribuição hoje se faz presente, e minha contribuição é esse artigo para manter o seu legado.

Referências:
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Sites:
Ministério da Educação
Guia do Estudante
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Livros:
LIBÂNEO, J. C. Didática. São Paulo: Cortez, 2013